O ano era 1.999 e eu tinha apenas 11 anos de idade quando conheci o RPG, e ele me cativou tanto, mas tanto, que daquele dia em diante, eu nunca mais parei de jogar.

Por ser filho único, minha infância foi marcada por brincar sozinho em casa, jogar Video Game, assistir desenhos e filmes, e ler revistas em quadrinhos — principalmente, Turma da Mônica e Homem-Aranha. Sempre que fazia alguma dessas coisas, eu me imaginava no lugar do herói ou de algum outro personagem que gostasse, vivendo minhas próprias aventuras, ganhando mais poderes e habilidades, e salvando o mundo inteiro no final — ou o universo!

Foi então que meu amigo Marco Antônio me apareceu carregando um livro com um monstro na capa, que havia sido trago por um primo de uma viajem à capital Belo Horizonte, intitulado Advanced Dungeons & Dragons First Quest — Livro de Monstros e Tesouros. Fiquei muito interessado, mas também, com um título épico desses, quem não se interessaria? Ele me disse que era um jogo de RPG, onde era possível criar seu próprio personagem e matar aqueles monstros e encontrar os tesouros do livro. Quando o folheei, fiquei absorto com seu conteúdo, todo colorido e cheio de ilustrações muito bonitas — para a época. Chamou-me a atenção o limo cinzento, com seus tentáculos e olhos malignos, eu queria derrotá-lo em uma luta digna de filmes.

Combinamos de jogar, ele iria mestrar — termo que fui entender muito depois — e eu iria criar meu personagem, do jeito que eu quisesse. Lembro-me que criei um mago que usava uma katana e tinha um golem feito de espadas! — ah… o AD&D. Quando começamos a jogar, o mundo que eu conhecia caiu. Os jogos eletrônicos se tornaram infinitamente limitados, os desenhos perderam a graça, pois no RPG, eu podia fazer o que quisesse! Criar minha própria história! Decidir minhas ações! Aquilo era o máximo que uma criança como eu podia desejar.

Não comecei com estes, mas gostaria

Mas nem tudo são flores, descobri que, como na vida e nos jogos, nem sempre dava tudo certo, e para representar esta aleatoriedade, usávamos os dados e eles eram traiçoeiros, principalmente o místico d20, que dava “1” nos piores momentos.

Por anos jogamos apenas com aquele suplemento, pois na minha cidade — Nova Serrana — não tinha livraria e nem banca de revistas. Quando chegou a primeira banca aqui, conhecemos a revista Dragão Brasil, que iria nos abrir o caminho para criarmos nossos próprios monstros, magias e itens.

Então o AD&D se tornou D&D, passamos a estudar de manhã e começamos a ganhar mesada. Nosso grupo juntou dinheiro por 3 meses, sem gastar com balas, doces ou revistinhas para podermos comprar nosso primeiro RPG completo. Nós fomos para a capital e compramos os três livros básicos e uma aventura, e na volta para a casa, no ônibus, eu fiquei com o Livro do Mestre nas mãos lendo e decidi que iria mestrar e criar as aventuras para os jogadores.

E foi assim que começou minha vida no RPG, sem maldades, sem paranóia, sem repressão dos pais, mas ao mesmo tempo com muita amizade, companheirismo e, principalmente, diversão!

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2 comentários sobre “Meu Início no RPG

  1. Eu comecei meio parecido tb, um colega nosso comprou o D&D (o da Grow) e não tinha a mínima ideia de como jogava. Lendo, percebemos que precisávamos de um Mestre. Andamos o bairro todo até ele lembrar de um irmão de um amigo dele jogava. Atualmente esse amigo dele também é meu, tanto que ele é inquilino aqui.

    1. Histórias do começo da vida de RPGista são muito legais!

      Inquilino? Você tem alguma pensão ou coisa parecida? Preciso de lugar pra ficar durante a RPGCon! 🙂

      Abração!

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