Os Problemas da Minha Mesa de RPG

Em minha última mesa de D&D, dos meus quatro jogadores, apareceu apenas um para jogar. Com desculpas esfarrapadas, não insisti muito, é o que eles querem e o Mestre é o jogador mais diplomático da mesa e deve agir como tal.

O que leva um jogador a não querer participar da mesa? Podem ser vários motivos: desinteresse, história repetitiva, desgosto com o personagem, insatisfação com o Mestre, com o sistema, etc. Todos estes motivos podem ser resolvidos, trocando o Mestre, uma nova história, cenário, sistema, personagem; mas para isso, tanto os jogadores quanto o Mestre devem querer e trabalhar para não deixar o grupo desfalecer. E para o RPG andar legal, com diversão e tudo, deve ter a interpretação.

Em minhas mesas, ocorre o problema que costumo chamar de “metaplayerismo”, que é quando um jogador que está participando da mesa, age como se fosse um vídeo game ruim, onde tudo o que tem que fazer é clicar para selecionar as ações. Todos sabem que o RPG não é somente Game, tem também o Roleplay, e por isso, o que eu sempre falo para meus jogadores é: melhorem a interpretação. Quando você vai de investida, usa a fúria, ataque poderoso e obtém um decisivo, o mínimo que o personagem vai fazer é gritar, e não dizer que acertou.

O argumento que dizem, vou parafrasear aqui.

No D&D, se eu escolher um defeito que meu personagem tem medo de aranha, e então aparece uma aranha gigante, não vou atacá-la pelo meu medo, meu grupo inteiro morre. Não é vantagem nenhuma, não vou ganhar nada com isso. Ele vai ser é pior que os outros personagens, por ter este defeito.

Zilhões de respostas vêm às mentes dos Mestres, vou colocar apenas duas.

Primeira: o Indiana Jones tem medo de cobra, certo? Mas você já viu ele deixar algum amigo morrer por causa de seu medo? O motivo? Simples. Ele supera o seu medo, derrota-o para seguir adiante. Se você fez algo que contribuiu para a evolução do personagem, você foi recompensado, ganhou experiência e faz uma interpretação legal, que empolgou todo o grupo. O defeito continua uma coisa ruim?

Segunda: o RPG é um jogo cooperativo, em grupo, social. Seu personagem não é bom em tudo, ele precisa de companheiros para completar suas áreas em que não é especialista ou não sabe nada. Se você tiver um personagem que é bom em tudo, os companheiros seriam inúteis, e ele seria tão poderoso que nenhum desafio enfrentado teria emoção, apenas jogadas de dados sem sentido. Se você quer um personagem que é bom em tudo, não tem defeitos e sempre ganha, é fácil, pegue o Super-Homem e tire a Criptonita. Mas quem iria querer ler uma história assim?

É verdade que certos sistemas de RPG favorecem mais a narrativa e a interpretação que outros, mas abandoná-la completamente é jogar um vídeo game de papel.

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4 comentários sobre “Os Problemas da Minha Mesa de RPG

  1. Olá, Valchrist, vou recomendar dois artigos do Adrenalina Rpg >

    Jogador, Abre o Jogo!

    e Jogador, Abre o Jogo! Incendiando a sessão! Parte II.

    1. Tsu, o meu grupo é do estilo efêmero, dura uns 3, 4 meses, e aí a gente sempre volta a jogar. Mas esse é apenas um grupo, o de domingo, eu tenho mais uma mesa, às quartas-feiras e eventualmente outro dia da semana também, e nesse as coisas fluem melhor.

      Eu fiz um teste que o Betão criou e ainda há salvação para o grupo, mas eu não vou fazer tudo sozinho, se eles quiserem mudar em grupo eu aceito.

      Mas eu tô doido para mestrar Mundo das Trevas pra galera e dar um “up” na interpretação deles! 🙂

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