O caso do Detetive Chase

O Detetive Aedan Chase é um descendente de irlandeses instalado em Chicago. Possui um pequeno escritório no Page Brothers Building, ao lado do Balaban and Katz Chicago Theatre, na North State Street, onde trabalha como detetive particular. Devido à localização de seu escritório, já solucionou alguns casos de artistas famosos do teatro e do cinema e ganhou certa fama e notoriedade. Ele tem um estilo egocêntrico e muitas vezes age fora da lei para solucionar os casos em que está trabalhando. Mas também é uma alma caridosa, que sempre tenta ajudar as pessoas. Anda sempre com sua Colt 1908 e seu cantil de Whisky Irlandês. Sempre de sobretudo e chapéu bege.

Detetive Aedan Chase

Quinta-feira, 7 de julho de 1932

Ninguém havia entrado em meu escritório o dia todo, talvez pela chuva que cai desde manhã, até que lá pelas 18:00, um homem bate à porta. Sujeito gordo, mal educado, com forte sotaque italiano, vestindo um sobretudo e chapéu vermelhos, obviamente da máfia, chamado Spallanzi. Queria que investigasse o caso de um assassinato de uma menina chamada Camille, filha de um amigo dele, me ofereceu cinco mil dólares adiantados para começar a investigação e outros cinco quando terminasse.

Aceitei o caso apenas pelo dinheiro, e logo depois fui para a cena do crime. Havia uma viatura da polícia de Chicago e dois policiais de guarda. Conversei com eles e descobri que o corpo havia sido levado para o hospital St. Pettersburgh para fazer a autópsia. No local, encontrei algumas gotas de sangue e uma pegada que seguia para um lote baldio com uma mata fechada, mas a chuva apertou e não consegui seguir as pegadas na escuridão. Então fui para o hospital procurar mais informações.

Cheguei por volta das 19:00 e fui conversar com o médico legista no necrotério, lugarzinho mórbido e fétido. O legista era um sujeito calmo chamado Madison que me contou que a menina foi morta, abusada em seguida, e teve alguns órgãos arrancados e provavelmente comidos, além de uma substância azulada e viscosa no rosto. Eis que aparece outro sujeito, um cara velho e parrudo dizendo que era detetive e que também havia sido contratado pelo tal Spallanzi, o nome dele era Crowley. Fomos até o laboratório do hospital e deixamos a substância com um homem chamado Bene para fazer a análise do material.

Eu já estava saindo do hospital quando o legista veio correndo e falou que o corpo da menina havia desaparecido. Mas como isso era possível? Só havia uma saída e a recepcionista não viu nada. Ela parecia dizer a verdade. Não havia nenhuma marca no chão e na gaveta onde o corpo dela estava havia vários arranhões na parte de dentro! Que merda é essa? O legista falava que acreditava que ela simplesmente desapareceu, por magia negra. Quanta besteira! Ignorei-o e pedi a recepcionista para me ligar quando soubesse do resultado da análise. E talvez jantarmos juntos depois de resolver este caso.

Pedi ajuda para o legista e o velho, para que tentássemos encontrar o corpo, que pode ter sido levado pelo assassino, e seguimos no carro dele para a cena do crime. Chovia muito, mas decidimos seguir as pegadas, desta vez com iluminação do farol do carro do Crowley. Conseguimos chegar numa clareira, mas as pegadas desapareceram. Então vimos que o lote parecia ser o jardim de um prédio. Fomos ao prédio e vimos que se tratava de um asilo, chamado de Asilo Hillcrest.

Ao entrarmos, um cara chamado Jack nos atendeu, e fomos à cantina que havia no térreo do edifício. Tomei um cappuccino e os dois comeram uma torta de maçã. Perguntei a garçonete se ela havia notado uma movimentação estranha ontem e ela me confirmou que três homens vestidos de roxo estiveram no lugar. Decidimos esperar o amanhecer para conversar com algum residente do asilo.

Crowley me deu carona até em casa, ele era do tipo durão, deve ter sido um bom detetive em sua juventude, mas acho que deveria deixar o trabalho para quem desse conta. Em casa, antes de dormir, fiz algumas pesquisas sobre o asilo. Descobri que alguns meses atrás uma casa abandonada foi encontrada nas redondezas cheia de corpos, mortos por animais e que o asilo existe há mais de 40 anos. Acho que este asilo pode ser a resposta para muitas perguntas.

Sexta-feira, 8 de julho de 1932

Acordei tarde, por volta das 11:00 e a chuva não parou, desde ontem está chovendo desse jeito. Fui até o hospital e o tal Bene descobriu que o composto é feito de duas substâncias: uma era formol e a outra ele não conseguiu identificar.

O tal do Crowley e o legista não apareceram, então decidi ir sozinho até o asilo. Lá, conversei com a diretora, uma mulher arrogante chamada Sra. Patrick, mas não consegui descobrir nada. O asilo tinha uma UTI e vários apartamentos, mas aparentemente nada de mais. Então vi uma enfermeira tentando entrar num apartamento, de um jeito muito suspeito. Conversei com ela, ela queria que um residente assinasse um termo, o cara não queria abrir a porta, tentei convencê-lo para ajudar a mulher, mas sem sucesso.

Fui conversar com algum residente de e encontrei com um velho chamado Sr. Hill. Ele pedia a todo momento que o ajudasse a sair dali, acho que era louco. Foi então que o alarme de incêndio do prédio começou a tocar e as pessoas começaram a correr pra fora do asilo. Ouvi um tiro de revólver e corri para ver o que era, então vi o homem que a enfermeira tentava convencer a assinar os papéis tentando atingi-la. Gritei para se proteger, enquanto buscava cobertura ao lado da porta, e troquei tiros com o homem, levei dois tiros, quase fatais, mas consegui atingi-lo na cabeça.

O homem era da máfia, bem velho, e no apartamento dele tinha um rifle e um revólver escondido. O velho Sr. Hill me pediu ajuda e disse que um homem muito suspeito havia entrado num dos quartos. Ao arrombar a porta, me deparei com um homenzarrão enorme que começou me espancar, os tiros não faziam muito efeito e continuei atirando e atirando. O Sr. Hill me pediu um revólver, dei o que encontrei com o velho mafioso e ele começou atirar também, inclusive uma mulher chegou para ajudar também.

Finalmente o homem caiu estrebuchando e de uma porta no apartamento, um outro homem surgiu. Ele era careca e estava nu, com dentes muito grandes e unhas enormes, a coisa mais grotesca que já me deparei na vida. Este homem, definitivamente, não era humano. Ele começou a rasgar o Sr. Hill com suas garras e comecei a atirar sem parar. Ele levou uns cinco tiros no peito antes de cair. No quarto havia uma câmera fotográfica e alguns reagentes alquímicos.

Quando saí daquele asilo que mais parecia um hospício, um saco foi arremessado de dentro de um carro preto. Quando abri, vi as roupas do Sr. Spallanzi costuradas em um peixe. Alguém assassinou o gordo e queria que eu soubesse.

Mais tarde, revelei as fotos da câmera, e vi que os dois homens bizarros eram realmente os assassinos. Mas uma coisa ainda me chamou muito a atenção, as duas últimas fotos, distantes por trinta anos, mostravam a mesma menina assassinada. O caso está resolvido, mas o homem que iria me pagar está morto e vi coisas que não dá pra simplesmente esquecer. Comecei a cogitar que o legista Madison e o velho Sr. Hill estavam certos em acreditarem em coisas inconcebíveis.

“Esta é única segurança que posso prover.”

Vi que coisas estranhas nos espreitam nas sombras do mundo, tentando deixar a humanidade cada vez mais distante das verdades que as noites escondem. Coisas sem explicação acontecem de maneira mais frequente do que gostaria e, digo para mim mesmo que isso não passa de besteira e fantasia, fazendo eu mesmo ficar mais distante do impossível. Mas agora meus olhos estão abertos, bem abertos, e irei investigar isso a fundo, para trazer à tona estas aberrações e mistérios que se escondem nesse verdadeiro Mundo das trevas.

Os dados ditam o caminho
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Resenha: Mago: O Despertar

Resenha: Mago: O Despertar

Recentemente adquiri o que posso chamar de um dos melhores RPGs de ficção moderna que já li: Mago: O Despertar. Agora veja os meus motivos nesta humilde resenha.

A começar pelo visual e mateiral. Dizem quem nunca se pode julgar um livro pela capa, mas é impossível não tirar nenhuma conclusão antecipada apenas ao olhar para ela. Feita com material de altíssima qualidade, é linda de se ver, com cores exuberantes e toque texturizado com verniz localidado fazendo um desenho de um pentagrama. O miolo é muito bem feito e é impresso com as cores preta e dourada com uma excelente diagramação e fontes de um bom tamanho.

O livro começa com contos para deixar o leitor no clima do mundo, que cumprem muito bem esse papel. No deccorer do livro você vai sendo tragado cada vez mais pela rica mitoligia que ele contém. Na parte das regras, são sólidas e de fácil adaptação, deixando uma grande liberdade tanto para os jogadores quanto para o Narrador. Outro ponto positivo é a maneira como foi explicada a história e o decorrer do tempo no mundo, facilitando ainda mais a imersão dos jogadores.

Ponto negativo é o alto preço de capa, o mais alto no mercado brasileiro, e que é necessário o Mundo das Trevas para poder jogá-lo, mas pela bagatela de R$ 105,00 o mínimo que se espera é a qualidade superior que ele possui. Veja abaixo algumas fotos e mais detalhes do mesmo.

Capa com o verniz localizado
Capa muito bonita
Páginas internas
Página "torta" pela magia
  • Mago: O Despertar
  • Devir Livraria
  • Formato: 21 cm x 28 cm
  • Capa: capa dura, 6 cores, laminação fosca e verniz
  • Miolo: 400 páginas, impresso com 2 cores
  • Preço: R$ 105,00

Concluindo, é um livro épico, que impressiona qualquer um que venha a olhar e ler. É realmente um alto preço, mas é um livro para a vida toda.

Resenha: O Mundo das Trevas (Reimpressão)

Adquiri o livro O Mundo das Trevas, da Devir Livraria, licenciado pela White Wolf, e vou falar um pouco do RPG em si e do livro propriamente dito.

MdT Reimpressão.
MdT Reimpressão.

Todos nós já tivemos um dia, ou uma noite dessas, a impressão de que há algo de errado com o mundo, de que nem tudo é o que parece ser. Somos espertos demais para acreditar em magia, criaturas sobrenaturais e superstições primitivas. Mas à noite, quando as sombras se alongam e o vento ulula, estremecemos e lembramos que talvez nossos ancestrais tivessem bons motivos para temer as trevas.

Descrição na contracapa do livro.

Storytelling é um sistema de RPG que enfatiza mais a interpretação de personagens em detrimento de jogadas de dados, possibilitando um desenvolvimento incrível de suas habilidades narrativas e de interpretação. A mecânica consiste no uso de dados de 10 faces e sua matemática é simples e intuitiva.

O cenário é o prato principal e ele supõe que seres sobrenaturais, como vampiros, lobisomens, magos e fantasmas, vivem escondidos entre os humanos, que os usam como peões em uma intrincada guerra de poder político e social. Quando vou explicar o Mundo das Trevas, exemplifico-o como uma mistura de Matrix e Blade, sem as apelações tecnológicas.

Coparativo de capas: o antigo é o da esquerda.
Coparativo de capas: o antigo é o da esquerda.

Em relação à edição anterior (3ª edição), chamada de Storyteller, o sistema evoluiu muito, gerando uma maneira mais consistente e genérica em lidar com jogadas de dados e testes matemáticos. Com um padrão fixo, o trabalho de gerenciar os testes gira apenas em torno das consequências de sua falha ou fracasso e à aplicação das habilidades dos personagens de uma maneira narrativa e verossímil.

A primeira edição do livro, lançada em 2007, não condizia graficamente com a versão estadunidense, e continha alguns erros que prejudicavam a mecânica e o desenvolvimento do jogo. Nesta reimpressão, com uma nova capa, diagramação mais consistente e a correção dos erros tanto mecânicos como gramaticais, o torna, tecnicamente, um dos melhores livros de RPG  do mercado brasileiro.

Ilustrações dão o clima.
Ilustrações dão o clima do cenário.

As ilustrações são muito bonitas e bem colocadas e, aliadas com os textos, conseguem transmitir muito bem a sensação de horror do cenário. A capa tem um tratamento especial, com sua maior parte fosca e o logotipo do sistema com um verniz brilhante. O preço estimado está na média de livros de RPG com capa dura (R$ 55,00) e vale muito a pena sua aquisição.

Contracapa.
Contracapa.